Mulher negra que teve pescoço pisado por PM é denunciada por quatro crimes

Publicado em 20/10/2021 as 19:37

Um caso insólito resultou nesta quarta-feira (20) na denúncia, por parte do Ministério Público de SP, de uma mulher negra que foi agredida por PMs durante uma ocorrência em maio de 2020, em Parelheiros, no extremo sul da capital paulista, na qual ela teve a perna quebrada por um chute, o pescoço pisado e foi arrastada pelo asfalto por um policial que atendia um chamado sobre um bar que funcionava ilegalmente no início da pandemia, violando as determinações sanitárias da época. Tudo foi gravado por moradores vizinhos do comércio.

A mulher, de 51 anos, que não teve a identidade revelada por razões de segurança, virou notícia em todo Brasil após imagens flagrarem a violência brutal a que foi submetida até depois de estar deitada no chão, enquanto outros agentes agrediam os frequentadores do bar e apontavam armas para quem estava no local. Até o governador João Doria (PSDB) se manifestou sobre o ocorrido à época, condenando a atitude dos policiais truculentos.

Tudo ocorreu apenas quatro dias depois do caso de George Floyd, um homem negro norte-americano morto por asfixia após um policial ajoelhar sobre seu pescoço na cidade de Mineápolis, em Minnesota, que revoltou o mundo e gerou graves distúrbios civis em todos os cantos dos EUA.

Agora, um ano e meio após as graves agressões, a promotora Flavia Lias Sgobi, encarregada do caso, ajuizou uma denúncia contra a vítima da violência policial na 2ª Vara Criminal do Foro Regional de Santo Amaro por quatro delitos: infração de medida sanitária preventiva, desacato, resistência e lesão corporal. Os PMs envolvidos na ocorrência respondem apenas na Justiça Militar e pelos crimes de lesão corporal, abuso de autoridade, falsidade ideológica e inobservância de regulamento.

*Revista Fórum