Ou racha, ou racha

Publicado em 07/07/2024 as 13:09

No Brasil, a escolha do candidato a vice é crucial. Não pode ser apenas uma conveniência partidária ou uma composição que ajude no resultado das urnas. A história mostra que não é bem assim. É essencial que o vice seja alguém preparado para assumir a titularidade em caráter definitivo. Em pouco mais de seis décadas, cinco presidentes foram substituídos pelo vice, e aqui alguns vices assumiram os cargos.

Estamos às portas de uma nova eleição para prefeitos, e apenas um partido fez a indicação do pré-candidato a vice. A pré-candidata Yandra, jovem deputada federal e uma das mais bem votadas do Brasil, lança-se pré-candidata e começa um trabalho de formiguinha para convencer o eleitorado de que é uma excelente opção para o cargo maior do município. Mulher, jovem e com tradição política: seu avô, Reinaldo Moura, foi deputado estadual, um político respeitado e querido, e seu pai, André Moura, prefeito, deputado federal e líder do governo na câmara, embora não tão querido na capital como o avô. A estratégia é simples: lançam a menina com sua simpatia, inteligência e carisma para agregar votos ao pai, provável candidato a senador nas próximas eleições. André sabe que sem o apoio da capital, não conseguirá alcançar seu objetivo. Sua ideia deu mais frutos do que o esperado: a menina cresceu, de Yandra de André passou a ser Yandra Moura, e agora assina apenas Yandra. É o único crescimento na escala dos pré-candidatos; nem a Emília Correia, que foi a primeira a se lançar pré-candidata, subiu em sua pontuação, mantendo-se sempre no mesmo patamar inicial.

Yandra foi a primeira a lançar o pré-candidato a vice, explicando que precisaria de alguém experiente para ajudá-la a governar a cidade. Reconheço a importância de um vice na chapa, mas ainda estou aqui matutando qual seria a contribuição desse vice tão pesado, antipático e mal-humorado como Belivaldo. Um homem que deu sorte na vida, sempre carregado pelo seu padrinho Valadares, ocupou diversos cargos: deputado estadual, vice-governador de Marcelo Déda e Jackson Barreto, e até governador de Sergipe. Seria interessante perguntar ao Jackson como foi o Belivaldo de vice.

Até que provem o contrário, foi uma má escolha, mas isso não é da nossa conta. Os outros pré-candidatos ainda não indicaram seus vices. O atual prefeito de Aracaju, mesmo sendo desacreditado por todos, amigos e inimigos, tem seu próprio candidato: Luiz Roberto, politicamente fraco e sem apelo popular, vem apanhando mais que pandeiro de escola de samba. No entanto, sabe que é o único em quem Edvaldo confia. Não sobe nas pesquisas, mas na hora do vamos ver, vai pesar a força da máquina pública do município e do estado. Garante o Rei Fábio Mitidiere, que diz aos quatro ventos que Luiz também é seu candidato, além da íntima amizade que o governador tem com Luiz Roberto e seu irmão Teó Santana. Assim, não podemos esconder o sol com a peneira. Se as duas máquinas estiverem de fato trabalhando para a eleição do PDT e conseguirem um bom vice, a candidatura muda de figura.

Do outro lado, tem a inteligência e a força de trabalho de André Moura, um páreo duro de acompanhar, pois Moura não entra em briga para perder. Ele vem com a faca nos dentes, sabendo que sua chance de conseguir seus intentos começa com essa vitória na capital. Espero que mude seu vice, optando por alguém com ideias jovens e modernas, acompanhando a linha traçada por Yandra.

Já Emília demora muito a decidir seu futuro: com quem anda, com quem pode andar ou quem quer andar com ela, e assim vai perdendo espaço até no lado dos bolsonaristas doentes e imbecilizados, com os quais a própria Emília não se identifica.

Fabiano Oliveira surge como uma opção, tanto como candidato quanto como vice em qualquer chapa da parte de cima da tabela. Seria um bom reforço para os jogos da final. Assim, na minha pequena visão, vejo um segundo turno entre a máquina governamental e a máquina dos Moura.

Começa, então, o racha no meio do grupo político que há anos manda no estado. Infelizmente, não temos nada diferente que possa empolgar nossos eleitores, que cada vez mais votam pelo modismo, pelos influenciadores e pelo dinheiro. E assim, tudo continua como dantes no castelo de Abrantes. E nós? Que nos danemos.


*Miguel Lins, professor