Lula dobra aposta com mercado financeiro: 'não presto contas a banqueiro'

Publicado em 02/07/2024 as 10:51

O presidente Lula (PT) participou na noite desta segunda-feira (01), em Salvador (BA), de um evento para anunciar investimentos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) na Bahia. Durante sua fala, o petista voltou a criticar o comportamento do mercado financeiro.

Ao falar sobre suas viagens pelo Brasil, o presidente ressaltou que seu trabalho é destinado "ao povo trabalhador". "Quando eu viajo para encontrar com vocês, quando vejo a cara de vocês, quando vejo a alegria de vocês, quando vejo a raiva de vocês, às vezes, eu falo: 'graças a Deus, enxerguei o meu povo, compreendo ele e é para ele que eu tenho que fazer as coisas nesse país'", disse.

Em seguida, o presidente Lula afirmou que não tem que "prestar contas a nenhum ricaço desse país. Eu não tenho que prestar contas a nenhum banqueiro desse país. Eu tenho que prestar contas ao povo pobre e trabalhador desse país".

Lula defende Biden e analisa ascensão de Marie Le Pen
O presidente Lula, que está em agenda na Bahia nesta segunda-feira (1), concedeu entrevista para a Rádio Princesa. Ao longo da conversa, o petista falou sobre uma gama de assuntos que envolvem o seu terceiro mandato presidencial, mas também fez algumas análises sobre o contexto internacional e, em específico, comentou sobre a ascensão de Marine Le Pen na França e a possibilidade de Donald Trump voltar a ocupar a Casa Branca.

Especificamente sobre Marine Le Pen, a líder do partido de extrema-direita Reagrupamento Nacional, que venceu o primeiro turno do pleito francês, realizado neste domingo (30), Lula afirmou que tudo mostra que a vez dela chegou. Para tanto, o mandatário fez uma comparação com personalidades petistas, como a prefeita de Juiz de Fora (MG), Margarida Salomão, que, antes de vencer, perdeu quatro eleições.

"Chegou para mim [a hora de vencer]. Eu fui visitar Juiz de Fora, agora. A prefeita [Margarida Salomão] perdeu quatro vezes também, chegou para ela. A Le Pen na França, cara. A Le Pen depois de perder tanto, ela e o pai dela, está chegando para ela. As coisas são assim. A gente tem que teimar", disse Lula.

A saúde de Biden e a possível volta de Trump à Casa Branca
Após analisar rapidamente a vitória de Marine Le Pen, Lula foi questionado pelos jornalistas sobre o desempenho de Joe Biden no primeiro debate presidencial.

"É muito difícil a gente dar palpite no processo eleitoral de outro país, porque depois do resultado eleitoral a gente tem que conviver com quem ganhou as eleições. Você tem que tomar cuidado para não criar animosidade. Eu pessoalmente gosto do Biden”, iniciou Lula.

Posteriormente, Lula falou sobre o desempenho do candidato Democrata no primeiro debate presidencial. “Eu acho que o Biden tem um problema, ele está andando mais lentamente, ele está demorando mais para responder as coisas... mas quem sabe da condição do Biden é o Biden [...] é ele quem sabe. O Biden tem que analisar, se ele está bem, então ele é candidato, mas se ele não está, é melhor eles tomarem uma decisão”.

“O que foi chato e desagradável é que no debate expuseram muito a fragilidade. Do outro lado um cidadão mentiroso [Donald Trump], porque ele mentiu, segundo o New York Times ele contou 101 mentiras, e do outro lado o Biden, com uma certa morosidade para responder. Mas quem sabe da saúde dele é ele, não sou eu”, afirmou Lula.

Em seguida, Lula falou da importância da eleição dos EUA e mandou um alerta para o mundo. “As eleições dos EUA, ela é muito importante para o resto do mundo, não é para os EUA, é para o resto do mundo. A depender de quem ganhe, a depender de que política externa que quer para os EUA a gente pode melhorar ou piorar o mundo. E eu acho que é importante a gente levar em conta de que é preciso melhorar o mundo. O mundo precisa ficar mais humano, o mundo precisa ficar mais solidário, mais fraterno, mais humanista. As pessoas estão muito raivosas, muito irritadas. Então, eu fico torcendo pelo Biden, Deus queira que ele esteja bem de saúde e Deus queira que ele possa concorrer, senão o partido Democrata pode indicar outra pessoa”, concluiu.