O ambicioso plano do IBGE para unificar dados até 2026: ‘soberania’

Publicado em 09/07/2024 as 20:34

Em entrevista à Agência Brasil publicada nesta terça-feira (9), o presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística Márcio Pochmann revelou que possui um plano para a criação de um Sistema Nacional de Dados.

Na visão do comandante do instituto, é necessário readaptar um sistema de informações, com dados públicos e privados anonimizados, para garantir que o Brasil construa e controle seus dados de maneira soberana.

Nesse início do século 21, a questão que emerge é justamente a soberania de dados, porque, na realidade, pela transformação digital, os nossos dados pessoais e também de empresas e instituições passaram a servir de modelo de negócio para um oligopólio mundial que controla esses dados pessoais, individuais e utiliza, de acordo com os seus interesses, que não são interesses necessariamente nacionais", afirma Pochmann à Abr.

A ideia que nós estamos trabalhando é a de recolocar o tema da coordenação dos dados oficiais do Brasil interconectando esses diferentes bancos de dados, registros administrativos, que permitiria aos gestores públicos e à sociedade conhecer melhor a realidade a partir do território. Essa é a ideia do IBGE: voltar a ser o grande coordenador das informações estatísticas, dos dados oficiais", afirmou.

O chefe do IBGE afirmou que a ideia é enviar um projeto de lei para o parlamento que consiga formalizar essa estrutura para botar o projeto em prática o mais rápido possível.

"O IBGE faz um censo (a cada dez anos), enquanto que as big techs fazem um censo diário", explica. A ideia é que o órgão tenha a possibilidade de coletar dados anonimizado sobre os brasileiros sem vendê-los ou vazá-los para outras entidades.

"[O IBGE] é a instituição que tem credibilidade que vai à casa das pessoas. As pessoas informam porque acreditam que aquelas informações não serão publicizadas. Ele cita um exemplo:

"Por exemplo, agora, durante a tragédia no Rio Grande do Sul, quantas pessoas foram atingidas, o que elas fizeram e como se deslocaram? É possível saber isso pelo movimento do celular", explica Pochmann. "É um prejuízo para o país porque não dispõe dessas informações que permitiriam atuar de forma mais rápida diante de circunstâncias pelas quais ainda operamos de forma analógica e não digital", completa