Chapa quente na feijoada da sucessão

Publicado em 18/07/2021 as 13:17

Como era previsível, quanto mais chega perto o tempo das escolhas e revelações das candidaturas ao governo e ao senado, mais sobe a temperatura e esquenta a chapa nos caldeirões e cozinhas do governo e da oposição.

Novos ingredientes nacionais como fator Lula, impeachment Bolsonaro, golpe militar, golpe político com o semi-presidencialismo do Lira e o novo e bilionário Fundão partidário, além das novas e suspeitas regras eleitorais engendradas pelo Congresso Nacional para beneficiar os atuais parlamentares em busca da reeleição, transformam a tradicional e saborosa feijoada sergipana em prato ainda atrativo, saboroso, mas muito mais gorduroso e apimentado, uma verdadeira misturada geral.

Haja paladar para deglutir e estômago para aguentar a rebarba.

Se fossem convidados para a festança e também fossem indagados sobre os múltiplos sabores do cardápio, os presidentes Lula e Bolsonaro, dois grandes protagonistas desse longa metragem gourmet, certamente dariam opiniões bem distintas.

Lula: “tudo bem, companheiros, mas não esqueçam da tradicional pinga na entrada, uma cachacinha da boa pra gente abrir o apetite”.

Bolsonaro: “…Tô cagando e andando pra vocês, Taokey? E querem saber, fodam-se”.

A gosto do freguês

Enquanto a chapa esquenta e o almoço não é servido, os convidados vão montando seus pratos - suas chapas eleitorais - ao modo preferencial de cada um.

Na situação, Chapa 1:
ULICES ANDRADE, Governador
Luciano Bispo, vice
André Moura, senador

Situação, chapa 2:
FÁBIO MITIDIERI, governador
Luciano Bispo, vice
Laércio Oliveira, senador

Situação, chapa 3 (ainda tem quem acredite em entendimento geral)
ULICES ANDRADE, governador
Luciano Bispo, vice
João Daniel, senador (indicação de Rogério Carvalho)

Situação, chapa 4 (ainda há quem acredite, em entendimento geral)
ROGÉRIO CARVALHO, governador
Luciano Bispo, vice
Andre Moura, senador

Oposição, chapa 1
ROGÉRIO CARVALHO, governador
Walmir Francisquinho, vice
Henri Clay, senador

Oposição, chapa 2:
ALESSANDRO VIEIRA, governador
Daniela Garcia, vice
Emília Correia, senadora

Oposição, Chapa 3:
WALMIR FRANCISQUINHO, governador
Aroldo Franca, Vice
Valdevan 90, senador

Tá bom, ou querem mais?

Aproveitem a onda e façam também as suas próprias chapas.

Moral da História

Nessa onda toda, percebe-se claramente que o governador Belivaldo Chagas está no controle da situação; que Ulices Andrade - embora não faça pré-campanha por respeito à instituição a que serve - é o nome mais forte, o candidato que mais inspira confiança nos companheiros e credibilidade politica junto à população, como também o que parece mais preparado para o exercício do cargo de governador, nesse momento.

Fica claro também que com a unidade geral, Rogério junto, como candidato ao governo ou indicando o vice ou o senador na chapa, a situação é super favorita para vencer a eleição.

Com a situação dividida - Rogério e Fábio disputando o governo, por exemplo - a eleição ficaria muito equilibrada e entraria em cena o grande azarão da politica sergipana, o senador Alessandro Vieira.

Nessa hipótese, o senador Alessandro Vieira - agora brilhando em nível nacional e melhorando muito a sua imagem pública no estado - iria seguramente para o segundo turno.

É o que dizem analistas políticos e pesquisadores das tendências da opinião pública.

Com a boa obra realizada pelo governo, com a força logística que tem o grupo, a reconhecida representatividade de seus principais líderes - Belivaldo, Edivaldo, Luciano, Ulices, Laércio, Jackson, André, Fábio Reis, Padre Inaldo, Fábio Henrique, Zé Franco, Jeferson, Zezinho Sobral e outros antigos e novos agregados de peso - o candidato governista será sempre muito competitivo.

Apesar do fator Lula, o PT não se recuperou ainda do vexame que passou nas eleições municipais de 2018, em Aracaju.

Pode sofrer um grande fiasco, de novo.

Assim, “melhor brigar juntos, do que chorar separados” - ensinaria Evaldo Gouveia.

E o mais grave,

A gravíssima situação política do país exige atenções especiais dos políticos que defendem de verdade a liberdade e a democracia…

Uma união de forças aqui, agora em 2022: seja em qualquer ordem de composição, daria ao Lula e aos projetos redemocratizantes do Brasil uma representação sergipana de 2 senadores e 7 deputados federais no Congresso Nacional.

O ex-governador Jackson Barreto, um politico que fez história e um estrategista de primeira grandeza, já deu régua e compasso para esse dilema: “…voto no governador do grupo de Belivaldo, voto em Lula para presidente”.

Fim de papo.

Parafraseando Lula, “…bote logo uma aí pra gente celebrar” ou rezando na tosca cartilha do Bolsonaro “…não esqueçam que eu também terei meu candidato a governador aí, viu … Tô cagando pra vocês, taokey” .


*Pedro Valadares, Jornalista